sábado, 30 de abril de 2016

Demais

Sou, quando não sou eu, sou outro qualquer.
Invento  e camuflado, passo ao lado do que houver,
Não existo, sou sem resistir.
Simplesmente não sou,
Se não for caustico e sem entrar em conflito.
Compito com sombras ou comigo se preciso,
E entre fantasmas, ainda sou um sorriso.
Demais sem querer e sem achar,
Sem perder a consciência,
 De que não devia fazer nada
nem metade do que queria.
E os tais que conheciam os demais,
Os que eram, os outros,
E os tais que eram o que não queriam.
Que não conseguiam,
E que sabiam,
Que não havia volta a dar, porque era grande demais,
Sou porque é inevitável e tenho que voltar,
A ser outro e a ser um qualquer,
Demais sem ser,
A aconteça o que tenha que acontecer.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Entre a Vida e a Morte

Quando nem depois de morto és bom,
ressuscitas porque não vale a pena.
Aplicas o dom e no tom que sabes,
ainda que meio torto, brilhas.
Acabas o teu trabalho e não te permites morrer.
Estou frio, completamente gelado, e os meus olhos contam o que arde em mim mesmo estando calado.
Indisposto, o meu interior dança entre o estômago e a boca, sem força estou encolhido num canto a tentar acalmar o interior, a tentar aquecer e a tentar não morrer de novo.
Não sei se sobrevivo, nem a voz se aguentou e partiu.
Maldita sina que me obriga a regressar, que me faz sair do cemitério e interromper o meu descanso.
Nem pensar é possível, estou vivo mas o meu cérebro ainda não
Ainda... Estou a tentar ser optimista, na procura da minha conquista.
A mil, o meu coração bate a procura da estrela que existia sobre a minha cabeça, que me dava o caminho quando eu não o sabia.
Sem luz e cansado deito-me de novo e fecho a tampa do meu caixão.
Sem estar morto ainda não estou vivo, divago.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Adoro, como quem ama o bater da calçada, que do nada, celebra  a ruína em que me encontro.
Pronto e perdido, como uma camisa velha, estou, gasto e encardido,
Aperto, sem botões, as merdas que digo.
e rebentas a consciência do teu amigo a pensar no umbigo,
perdes...

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Moribundo Aliviado

Chega a procissão do moribundo que por seu pé caminha.
Tão aliviado que está, nem parece que todo ele definha.
Seguem os chorosos que eram loucos pelo sitio.
Sem-abrigos e sem ponte.
E aponte para onde apontar, o futuro aponta a morte.
Seguem todos o mesmo caminho porque se apressam para a morte.
Sem sorte, a procissão chega ao fim e a campa não é suportável.
Com aquela sorte incomparável só a vala comum se mostra disponível.
Deitam-se alinhados como todos os desempregados.
De chorões a alienados.
Por entre estes só o doido não chora.
Este já só pensava na chegada dessa hora.
Cai a lágrima e fica apenas a loucura.
De quem vê no fechar a porta, a única cura.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Quando se sente é fácil demais

Escrever é fácil,
Quase tão fácil como escrever bem,
Bem mais fácil que escrever sobre amor,
Sem duvida mais fácil do que escrever com amor.
Agora que tenho a atenção, ou provavelmente a perdi, uma vez que é de amor e com amor que se fala.
Deixa de ser interessante.
Passa a ser gratificante, se conseguir dizer algo sobre o amor que nunca tenha sido dito.
É difícil, bem mais difícil é dizer e sentir.
Na verdade, quando se sente é fácil demais.
É por isso que, depois de tanto bloqueio, escolho este tema.
Jogo em casa sem achar ser um jogo.
Estou disposto a perder, sabendo que só ganho.
Facílimo, nem preciso dizer nada, basta olhar.
Agora que olhei, notei o brilho do teu sorriso, como brilhas por inteiro.
Nem sei se é justo fazer isto de fácil que é.
Alias, é tão fácil quando se ama, que quase fica difícil amar.
Difícil, não gostar de um defeito.
Difícil achar um defeito, quando na verdade é uma característica.

Pés frios demais para conseguir

Em tempos andei por cá como quem estava pleno de ar, hoje o meu cérebro insiste em asfixiar os meus dedos. Sem medos, apenas falta de ar, sigo e não consigo escapar. Sufoco, de tal forma que começo a achar que já não sei escrever. Só consigo dizer que tenho os pés gelados, parecem cubos. E ocorre-me que talvez nunca tenha sabido escrever. Parece que falta o ritmo, o ser maníaco que fui, agora não sou e não flui. Regredi, amputado das ideias expiro apenas, sem inspirar. O ar, esse está viciado no andar do tempo. Aqui não durmo e sinto-me doente sem o estar, fraco sem o ser. Sinto-me a desaparecer, fui salvo e salvador, entre outros seres da minha imaginação, agora não passo de um anão, que olha para a gigantesca desinspiração. Li coisas minhas que tinham compasso, que me faziam perguntar a mim mesmo onde iria buscar tais coisas, a que baú? Agora pergunto-me mesmo, a que baú, que gaveta, onde? Tenho os pés gelados e estou cansado, talvez esta já não seja a minha casa. Talvez nunca tenha sido, mas seja como for, alguém mexeu nas coisas, a minha memória era diferente em relação a este espaço. Não sei se devo insistir na espera para que me surja algo, ou se me acomodo. Lembro-me que na minha polaridade dupla, produzia quando andava em baixo, mas por cima também me saia qualquer coisa. Agora não me saí nada, estou deprimido como estava nessas alturas, talvez mais, porque antes produzia e animava, agora não consigo e pioro. É preciso estar quase a morrer para escrever um poema, uma divagação ou uma merda de uma quadra que nem rime.

domingo, 22 de julho de 2012

Pavão Estranho

Vazio e sem piu, está o pavão auto-intitulado, quando olha para o lado e se vê sozinho. O silêncio deixa-se invadir pelo ruido das vozes que moram em mim, ao ponto de nem conseguir pensar, ou nem tanto, mas ao ponto de nem ouvir os meus pensamentos. Não pinto, não escrevo, tudo por não conseguir ouvir os meus pensamentos, vazio e cansado. Sinto, alias, não me sinto realizado, nem um bocado, cansado acho que nem tenho estado por cá, nem por lado nenhum. Se não me manifesto, não sou e se não sou não estou. Mas sorrio, neste momento sorrio pela alegria do regresso. Tinha que voltar, não é natural não ser, custo a fazer-me entender, o que tambem não é natural, é isso que me faz mal e me suga o ser que sou e que existe em mim. Por fim, só umas teclas e parece tudo voltar ao ritmo normal, de quem produz no tal ritmo infernal, tal que queima os dedos nas telcas já lisas dos malditos com que as pisas. Só precisava deste momento de dêmencia para sobreviver mais um tempo e abanar finalmente a estrutura e lutar pela minha ideia. Prometo que não deixo voltar a chegar a este estado tão parado e vazio. Com algum ar no peito, sinto logo o efeito de que me tinha desfeito e sou presunção por um momento.

domingo, 24 de junho de 2012

Carta de Amor

É a primeira vez que faço isto, e nem sei bem como vou escrever o que quero, quando nem dizer consigo. Sei que não tem sido fácil e que o medo te invadiu, mas não foi só a ti, não és só tu que tens medo de ficar mal, eu também tenho. Tenho mais que medo, mais que um pavor, só a ideia aterroriza-me e é por isso que tento agora escrever uma carta de amor quando nem uma carta sei escrever e até nisso falho. Mas sei o que é o amor e apesar de ir falhando e de ser o maior falhanço de todos os que falharam, sei o que é. E é por ai que me vou guiar. Construí uma muralha tão alta e tão forte, que por vezes pareço uma fortaleza, tu também o fizeste e não sei se é bom ou mau, mas somos bastante iguais, temos os mesmos vícios e as mesmas manias. Mas o pior é quando brigamos, quando brigamos dias parecem anos, pelo menos para mim parecem, os segundos andam tão pouco que parece que não andam de todo. Não me quero desviar do meu propósito, porque na verdade estou aqui para escrever uma carta de amor. Amor eu entendo, sei o que é amar, felizmente sei e ainda tenho a sorte de saber o que é ser amado pela pessoa que amo e agora que penso nisso, vejo que apesar de tudo, tenho sorte, queixo-me de tanta coisa quando de facto sou um sortudo, ou melhor sou um privilegiado. São dias difíceis estes, quando precisamos de tempo útil entre nós, sem mais ninguém e inevitavelmente eu faço merda. Eu sei o que sentes, eu sinto igual e o nosso medo de sofrer é enorme, mas o nosso amor é bem maior. Não sei se te chamo aqui para veres o que escrevi, se te envio mesmo a carta, mas o mais certo é que a carta não chegue, porque falho. Mas não é por isso que desisto e se for necessário escrevo uma carta todos os dias e todos os dias te deixo a carta no correio, para que todos os dias tenhas menos medo. São as tuas e as minhas muralhas, parece complicado o encontro, mas é simples basta não ter medo e juntares-te a mim na luta. Difícil é conseguir que tu vejas o quanto quero acertar. Não tenho crédito, mas tenho a maior força de vontade que algum dia alguém teve ou terá e aí talvez esteja a exagerar, mas essa força de vontade tenho-a e sei como a usar, luto. Um sorriso teu desarma-me, porque não te ris apenas a mostrar os dentes, porque sorris também com os olhos e o brilho dos teus olhos só não me cega, porque cego já eu sou. Não consigo explicar de forma clara a não ser com um olhar o quanto me realizas. Tu não representas a beleza, nem simbolizas a perfeição. Nunca, porque esses são adjectivos que tal como eu falharam quando criados para de descrever, de facto falham de tão incompletos serem. Eu também falho, entre tantas coisas falho quando tento demonstrar o quanto é grande o meu amor por ti. Tu também me amas, eu sei, sinto-o quando me olhas e mesmo sem te ver, mesmo quando está cada um dentro da sua muralha eu oiço a tua voz e ela consegue dar som ao teu coração. Eu só gostava de conseguir dar som ao meu, porque falo aqui pelo meu coração e deixo-o pegar nas rédeas e escrever mas mas não é possível dizer em palavras o que te digo com um olhar. Amor agora estou mais nervoso, mas vou ao teu encontro com todo o medo que tenho de bater na porta.

domingo, 17 de junho de 2012

Não sei por onde começar

Não sei por onde começar. AH! Esta crise, não vou por ai, rio-me triste. Agora tenho que ter é muita calma, que isto anda meio difícil, fico um farrapo, completamente destroçado e é quando me dá para isto, sei lá, fico louco. Para lá e para cá é como ando e entretanto já entrei em paranóia. Nem sei se é possível relatar a morte que sinto em parte de mim, fico sem batimento cardíaco e gelado nas febres. E do bater ao aperto em que me vejo, com descargas eléctricas que me atravessam o corpo e descarregam no coração, choques mais fortes que toques ou combates. E nem relatar consigo, a falta do meu ar é tanta, que não consigo respirar e preso aos tremores que até a terra sente e treme. Sem saber se é a minha voz, esta que oiço na minha cabeça, não sei. Nem consigo mostrar-te a ti, ou mostrar-me a mim, nem manter para nenhum de nós o nexo desta nossa conversa. Tanto que nem sei se deve começar, parecem espíritos estes que me agarram. Não sei, vamos deixar é de conversa fiada e pegar ao trabalho. Que trabalho? Ah pá, a conversa, vê se consegues acompanhar. Que queres que acompanhe? A conversa! Mas continua, deixa para lá e explica-me o que se passa, ou tenta explicar-me. Há tanta coisa boa nesta décima de vida, que sabendo perfeitamente por onde começar, não começo sem falar da falta que a décima de vida me faz. O importante é não quebrar de facto, o pacto. Não consigo de facto é respirar, nem gritar e as vozes cruzam-se dentro de mim. O tanto que doí? Esse nem que me mate a escrever consigo descrever de tanto que doí.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rotina VS Pavão

Seco e sem sumo, fico, não me sumo e apresento-me por cá, envolvido nas muralhas que sempre defendi e hoje me prendem a uma vida rotineira, a algo que ainda não arranjei maneira, de escapar. A saída parece cada vez mais longe, falta escapar para poder sentir a falta e adorar de novo esta terra que me aprisiona sem que me faça querer defender as suas cores. A contra relógio e contra todo o tempo do relógio, é sem ensaio que dou três murros nas teclas e saio. Só para me manter a Salvo d'Almeida, passei como um relâmpago, com o efeito de um apagão, mostrei a pena do pavão.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

É Diferente

É diferente quando é por gosto. Posto isto, não resisto a comentar que é mais fácil facturar aquando na mó debaixo. Acho, é que a minha ausência no registo da demência tem tempos diferentes, se até parece que o doido não aparece há um mês, ao doido parece ser talvez, um ano, ou dois ou três. Não sei nada, apesar da falta de treino que os dedos tem tido e as teclas que não têm batido, nem por isso saio, nem me dou por vencido. Justifico sem grandes fundamentações, que apesar de ausente no ar, mantenho as divagações. Parece-me que perdi as vírgulas e algumas das minhas metáforas preferidas e mais comparadas a ideias arrojadas. Sem fazer uso da estrutura há muito, e com os brancos de quem se auto-atura e intitula há mais ainda, pico o ponto e voltarei de novo quando estiver pronto, seja para o ano ou este ainda.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Dores

Ideias brilhantes, dores perfurantes e tão agudas, que com medicação e sem ajudas, nada muda, fico na cadeira do judas e só o silêncio do meu sofrer se faz ouvir na minha cara fechada. No ponto em que ate respirar custa, sobrevivo a justa a uma batalha onde, alem das lombares, as dores se arrastam a tua procura nos bares e nem pares para pensar sobre o que dói sem passar. Paga o Salvador por um judas, divagador sem ar, nem onde aterrar. Em queda livre e sem brindar, sem ser brindado combato o ar. Bato na base do poço mais fundo, bato no outro lado do mundo e nem ai te encontro.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Aquecimento & Sentimento

Alta polaridade, a elevada da tal que se parte em dois. Sim! Sou eu, Pavão sem pé no chão, o da boa memória, eu não esqueço, o que pára, eu não ultrapasso, o áspero, eu não suavizo. Sou e multiplico, eu aumento ainda mais. Depois de andar com os dedos gelados em voltas frias nas teclas que pareciam gastas e me escondiam as letras e palavras para as frases certas. Entras e acertas-me na moral com uma bomba de ar, por querer ganhar, por estares a ganhar e por ser possível ganhar contigo, fico convencido. É mais presunção que divagação, mas mostra-se também algo de declaração e combinado com um certo regresso e passagem. Por onde olho, vejo com luz e brilho o reflexo que brilha e luz para onde olho, o aquecimento e o sentimento.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O Mar Que Tu És

Este mar de cheiros e fluidos nas flanelas amarrotadas, que estavam geladas quando entrei e agora estão moderadas. Não estão quentes como quando estás aqui comigo, és um perigo… Esse mar que me acalma, é o mar em que me afogo sem oferecer resistência e me salva a alma. É a ponderação do insensato, é um gostar inato e no acto segredo-te o que sinto e não minto, falo através de todos os membros do meu corpo. És o mar para onde me atiro de cabeça ou como me pedires, com todas as pedras nos bolsos e até atadas nos pés, tudo para bater e ficar no fundo do mar que tu és.

Morde

Nada como a chama para atear o fogo pelas ideias e palavras de raiva que urgem em se fazer mostrar, tal como os dentes que a maioria dos cães mostra, apenas alguns mordem realmente. Com tudo isto a vontade é de ser canino e mijar nos pés daqueles e dos outros. De todos, morder com fúria e sem dó, principalmente quando metem dó e nem passam do ladrar. Mordo mãos, mordo trelas, mordo tudo e até as cadelas. Essas que entre os cios e os afins, perdem os pios e deixam de piar. Ou se piam eu deixei de as escutar. Caguei do alto para as cabeças de merda, para todo o esforço e para a perda, do tempo e da boa vontade. Quero é que se fodam, essa é a verdade.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Qual Quê? Qual Quando?

Há quem diga que está encarregue da Salvação, ou quem diga que é Saudosismo agudo, no entanto supõem-se outras ideias que se sobrepõem umas sobre as outras para se imporem, enquanto imploram para não se dissiparem. É o saber certo e pleno de toda a sabedoria que, sem pregar, houve Salvação, várias de vários tipos. Desde as famílias que se formaram em casas provisórias onde não se estudava nem cuidava do fígado que fingia ser imortal. Noites que se tornavam dias, que se tornavam em horas e minutos que se multiplicavam em cruzamentos de vidas que se juntavam e fizeram parte de fases Areosas, onde se salvaram vidas que hoje deixam aquela falta que fazem. Fases ao lado dos Coches, quando pé ante pé, havia novas arquitecturas e mais conjunturas, algumas puras ainda duram e de vez em quando curam pelas retóricas postas em dias que são mais longos que os normais. Quais saudades quais salvações. São divagações que se actualizam e em reflexões se auto-analisam. Foi há tanto que me esqueci, nasci quase que inventado e por um bocado poderia estar eu a inventar, mas não. Já me esqueci o qual e o quando, mais sempre do que de vez em quando, ando e actuo na roda onde rondo e compactuo, compacto, não recuo. Perante o vácuo mais vazio assisto e sorrio, vejo que a vida também já me sorriu, na roda que me fez e por entre merdas, até me aprazeu digo eu. É da praxe e vomito, metaforicamente, a continuação da outra reflexão. Famílias, de há tanto tempo que me esqueci, apresentam-se, sem serem de sangue e prontas a derrama-lo. Qual quê, qual quando? É até me apetecer voltar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Andar do Tempo

É uma pena, não poder dominar o tempo como um só. Se aqui e na tua companhia o consigo parar e viajar nele, conseguindo quase tudo, lá fora ele não ele não pára nem tão pouco se deixa levar. E acaba por nos vir buscar, só para nos devolver a uma realidade que não é a nossa, é uma perda de tempo e apenas isso. Fujo dos ponteiros para o cimo destas escadas, onde me vou escapando do seu alcance, assim, por mais que avance não me rapta, não me captura, não me mata, nem me cura. Apenas eterniza este gesto, esta loucura.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Espírito da Pena

Notada e apontada, a menor frequência registada e apesar de não estar esgotada, aparenta andar desencontrada, com as linhas rítmicas das teclas malditas que sempre saltaram aparatosas como o verde do aparato que me chove perante a vista, uma pena que decide voar da janela até ao fim do sofá e por cima de mim ali está, a descer em frente ao meu nariz e é pelo triz que não a perco, num piscar de olhos e sem pena a observação que planeei enquanto a mesma caía, foge e se me distraia mais, perdia a vista da musa que flutuava. Sou um espírito e sem forma dispenso os formalismos. Enquanto assombro os ecos da tua voz interior. Tremes e quase te quebras e é nas fracções em que duvidas das tuas facções e te divides. Dás lugar a outras faces e façanhas vindas das profundezas das tuas entranhas, o teu consciente submerso, é evidente. Afinal para louco só te faltava o quê? Nada, nunca me faltou e modestamente digo que sempre abundou, é facto tão real como fatal, no contacto do ultimato que faço ao espírito da pena, que de forma grosseira me atira a pena para que relate tudo antes que a minha demência me mate. Mas não chego ao abate porque evito o combate, na magia do espírito e com ou sem pena argumento-me á tona do problema, por isso e sempre a respirar vou ainda assombrando esta frequência e sempre com aquela excelência, um toque de Pavão, só para aguçar a evidência.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Indecifrável

É extremamente difícil decifrar, não sei o que ando a fazer nem que pensar, enquanto os sentidos e as razões continuam a pairar, pelo ar elas voam desgarradas e a pairar estancadas. Paranóia, fobia, e toda e qualquer anomalia, do foro psíquico e esotérico, vivo com os pés neste, mas a cabeça no outro esférico, longe deste e quase periférico, o mundo ficaria mudo, histérico, se soubesse o quão insana é a minha prece, que aparece escondida, noutra face da minha vida, profunda e recolhida no grau da minha bebida. Assim corre codificada a profecia maldita da falta de razão do Pouco São, assim é e não decifro enquanto oscilo entre presa e animal mortífero, sofro mutações e fico possesso no processo e já tenho mil mãos e estou focado, penso, olho e vejo logo estampado o fogo que arde sem ser apagado, a chama do inspirado que, é porque foi e sempre será o Maldito do Auto-Proclamado e no toque da pena, desenha palavras com formas e cores e outros elementos, que se juntam na criação de algo indecifrável e inigualável, algo que é divagado pelo Pavão ao ponto de juntar uma imagem na imaginação, pelo menos da do Pouco São.