sábado, 22 de maio de 2010

O Doido e o Ofício

Admiro a pureza do Doido.
É puro, verdadeiro.
Conhece alienação, sabe da demência.
É retórica sem protocolo, pouco ortodoxo.
Sou o aleatório mais casual por excelência.
Que se dane suposto.
Já sou Doido com posto.
E aposto sem garantes.
Consciência insana, como nunca antes.
E visto-me a rigor, uso alguma paciência.
Codifico um mito e fabrico um herói.
Inspirado em druidas e salvadores barbados.
Ou até feiticeiros abençoados.
O poeta é uma palavra.
Um palavrão!
Numa camisa-de-forças!
Entre sílabas e forcas.
É um estoiro sem escala…
Organismo sem rédeas rentes.
Enraizado em mangas gigantes.
Que te rodam como quatro paredes.
É calmante, sou anestesia e viagem.
Vista na melhor das lentes.
Vivo por mundos selvagens com animais gritantes.
Inspiro hoje uma vida sem cinto nem mensagem.
Numa jornada de Gigantes.
Sou premiado pela ironia.
Pesada como os segundos do mais longo dia.
Ainda registo nos tais jornais.
Salvo os episódios do hospício.
Por entre os doidos reais.
Os meus, os geniais.
O Doido e o Ofício.

sábado, 8 de maio de 2010

Sem Memória

Devia ter escrito quando pensei.
Devia ter escrito quando senti.
Não escrevi, já sei…
Agora não me lembro.
A memória foi expulsa.
E o meu pensamento pulsa.
Sem as palavras que não escreveu.
É apenas energia, somente luz.
Sou só Eu.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O Deambular do Impróprio

Deambulo por entre letras, palavras e teclas.
Salto, corro, pulo e tudo isto, fulo.
Não, mas poderia ser.
Já fui um romântico.
Já fui um existencialista.
Multipliquei-me por infindáveis eus.
Ate já quase fui artista.
Agora sou só louco.
E não é pouco.
É muito, cada vez mais.
Mas domino a minha loucura tão bem como ela a mim domina.
Sou impróprio para consumo.
Tenho um feitio fodido.
Há dias que não sou compreendido.
Caguei nisso tudo.
Vale-me entre tudo, o nada.
Faço magia quando argumento.
São truques e nem sequer tento.
É o dom do sarilho.
O magnetismo para o enredo.
Por entre uma variedade de registos.
Largo estruturas.
Mando rimas ao ar.
Nada disso importa, nem vai…importar.
Tive dias em que era mel em cada palavra.
Outros…
Outros em que o meu feitio era só fel.
Mas aqui, o meu génio impera.
E não quero saber de métricas.
Não quero saber de criticas.
Simplesmente não quero saber.
Mas sei.
Ignorância consciente.
Ou algo semelhante.
Hoje não sei quem sou.
Sou tu.
Sou todos.
Muitas almas para um homem?
Muitos homens para uma Alma.
Atravessei um século carismático.
Reencarnei num jovem problemático.
Ainda fico no tempo.
Sem querer, ou talvez queira.
Mas não da forma que fico.
Era bom poder escrever vidas e no fim apresentar uma moral.
Um fim de história que desse a mensagem certa.
Mas não.
É só mais um registo do impróprio.
O Louco, O Sem Salvação.
Salvador e nem sei quem mais, apenas eu próprio.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Encantamento no Momento

Baralhação com argumentos bem constituídos.
Atenção ao que falo, cuidado é musica para os teus ouvidos.
Não te distraias, não dances.
O jogo é meu e as regras feitas por mim.
Eu é que mando, domino do principio ao fim.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Última Brisa

Um Tornado a solta, vai passando.
Segue o seu trajecto torneando.
Mas agora dança sem cruzamento.
Parece que não há volta a dar.
Soprou para longe, o sentimento.
E já só faz afastar.
Um Tornado e um Pirata.
Nas tempestades e nos copos de água.
As danças no mar.
E todos os maremotos.
Tiro o chapéu e atiro a espada.
Foi um Tudo, para Nada.
Ponto sem retorno.
Ainda que no mesmo mar de travessas.
Mas sem nunca mais avistar.
Pffuu… foi a Última Brisa.
E agora, como sempre.
Ganha a Natureza.

Ímpar de Sempre

Há coisas que por mais que repitas.
São artesanais.
Ditas, sentidas, ou escritas.
São certas palavras, que por vezes se repetem.
Mas são sempre únicas.
A mesma frase pode ser dita um milhão de vezes.
É sempre diferente.
Tem o mesmo, valor e definição.
São plurais de tão banais serem.
E ímpares na atribuição.
Atracções.
Tracções desgovernadas.
Jogos de atenção.
As coisas da sedução.
E todas as cartadas implicadas.
Tu foges.
Do vaso feito pela garra de quem tem e agarra.
Que molda a sua exclusividade.
E atribui a quem inspira.
O apenas dito por toda a gente.
Acende com o mesmo isqueiro, todas as vezes.
Um fogo novo.
Que a tentação acalora.
E faz do igual de todos os dias.
Único agora.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Batalha Emocional

Sete pedras na mão.
Disse ela.

Palavras.
Pensei eu para mim.

Verter lágrimas
Escapou-lhe.

Bandeira Branca.
Digo.

Sete palavras na mão.
Pesadas como pedras.
Duras como a vida.
Fim de um ciclo.
A dois passos da saída.

Maldita Demência

A coerência do louco mais demente.
É a sua iluminação.
A minha loucura é sem cura nem vacina.
E manifesta-se sempre que O Maldito assina.
Por entre pactos infernais e divagações geniais.
Saem jogos coerentes que enlouquecem os mais crentes.
E mais!!
A insanidade é tanta que se torna contagiosa.
É tão pouca que rasa a pandemia.
Arrisca-se a ser perigosa, mas não contagia.
A todos os dementes eu dedico este pequeno espirro.
Quem vê sentido na minha coerente treta.
Quem tem sentido a epidemia.
É para quem eu me levanto, aplaudo e saúdo.
Esses são bem piores que eu.
Porque nós, nós somos muitos e loucos.
E temos dias em que somos muito loucos.
Temos desculpa e é a nossa loucura, não há como fugir.
Vocês são poucos.
Vocês ficam doidos sem quererem.
Sujeitam-se a isso só de lerem.
As narrativas que imagino dentro da minha camisa-de-forças.
Que me esgotam e ficam com todas elas.
Em que me divido para a propagação.
Da loucura, caos e mais uma publicação.
Beijos e abraços do Incoerente e da sua maldição.

sábado, 10 de abril de 2010

A Praia da Sereia

Vi-te na praia pela primeira vez.
Houve sintonia, comunicámos.
Ainda fiquei nas tuas dunas.
Á beira-mar do meu passado.
Troco sorrisos com o futuro.
Galanteio-te Sereia, hoje.
Recito, bonito, mas não decoro.
Curioso e com a graça de um Todo Poderoso.
Enamorado, também enamoro.
Sereia, és Dona da Praia e nem sabes.
Não sabes, que sou O Pescador.
Não sonhas, que sou O Poeta.
Comunico com as marés.
Vou no teu canto, Bela.
Encanto e rendo-me ao teu encanto.
A tua areia, o teu mar.
Saio apenas para te pescar.
Algo que mostre o quanto me fazes Divagar.
Memória, história e recordação.
Voltaremos a ver o Sol, ou a Lua.
Tanto faz, desde que seja na tua Praia, Sereia.
Na costa, o Mago Pescador.
Encosta e vê-te, Sereia Senhora da Praia.
Dedico-te um poema na areia.
Que o mar te entrega em mão.
Assinado pelo Pescador, O Sem Salvação.

terça-feira, 30 de março de 2010

Formas e Visões

Já escrevi, palavras que pareciam desenhos.
Já pintei, desenhos que pareciam palavras.
Formas de expressão que comunicam em silêncio.
Lutas e desistências.
Insistências seguidas de reticências.
Arte de qualquer forma.
Papel timbrado, tela ou teclado.
Expressa-te e informa.
Todas as tuas intenções.
Há quem desista.
Há quem insista.
Consenso não há, mas devia haver.
Era bom que nos pudéssemos entender.
Mas parece que não.
Quase de saída.
Seguir a vida.
É legítimo, mas tenho pena que assim seja.
E que esteja para breve a ultima vez que te veja.
É assim que tem que ser, então seja.
Sem aproveitar.
Deixar o tempo esgotar.
E em vão.
Chateia-me e entristece-me
Deixar de partilhar o chão.

domingo, 28 de março de 2010

És Feliz?

Como assim, feliz?
Podia ser muito mais feliz.
Eu e o mundo.
Mas se perco alguns momentos para pensar.
Não chego a conclusão nenhuma.
Preciso de mais.
Momentos para pensar.
Momentos para lembrar.
Não sei, nada, nada de nada.
Nada sei sobre a felicidade.
Sou feliz, quase ao máximo.
Sou um sortudo.
Sei ser feliz, mas conseguia ser mais.
Muito mais, pleno.
Suponho, imagino.
Falta sempre algo, ou alguém.
Não digo o quê, nem quem.
E tu, és?
Seres insaciáveis.
Insatisfeitos.
Desfeitos, perfeitos em todos os defeitos.
Espíritos da procura.
Da luta.
Guerreiros sem espírito.
Loucos sem Alma.
Almas distintas.
E tu? O que achas?

terça-feira, 23 de março de 2010

Lutas Desiguais

Querer sem querer.
Aquilo que não se pode ter.
Teias que apanham e prendem.
Lutas em que se aprendem.
Valiosas lições, grandes elações.
Por entre divagações e devaneios.
Refugio-me nos recreios.
As palavras que se mostram e escondem.
Estados de Alma, nus de calma.
Exaltações.
Lutas desiguais.
Querer sem querer.
Ter e deitar tudo a perder.
Sem querer ser derrotado.
Por um subconsciente que se mostra presente.
Ou então sei da armadilha.
Sei que me prendo onde não devo.
Sei que me liberto quando escrevo.
Sei, ou devia saber, querer com querer.
Propositadamente.
Honesto e directo.
Querer dar o afecto.
Querer-te longe, mas no fundo querer-te perto.
Desigualdade de lutas entre mentes astutas.
Ou que se acham.
Elevam e rebaixam.
Chamas, que se apagam e acendem.
Chamas, mas os meus pés não se rendem.
Mesmo com querer.
Fujo e não me deixo ver.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sou

Sou, simplesmente.
Algo que existe, ou algo da mente.
Sou até mais.
Sou e serei demente.
Falo por mim e para a minha gente.
Sou, a escrever.
A ler, ou até sem ser.
Essencialmente.
Sou divagação, presente e ausente.
Podia ser mais mas o meu peito não sente.
Não digo mais porque a minha alma não mente.

Errar da Certa Forma

O porquê da incorrecta decisão.
Não há razão.
Viajo elevado e aéreo numa divagação.
Regressar iluminado pela moral.
De quem sabe o bem e o mal.
E por entre decisões erradas.
Estar certo em todas as pisadas.
Sem complicações, nem grandes exibições.
Mantenho o ritmo das paixões.
Ardores conscientes, ou nem tanto.
Chamas de agora e do entretanto.
Sem canto fico sentado no meu.
Vejo os erros, vejo tudo.
E até quem sou eu.
Vou vendo.
Mas a alma não vendo.
Fora do mercado, ela segue espiritual.
Observo atento, o destaque fatal e pouco banal.
Directo ao assunto sem o mesmo, é sempre o mesmo.
É habitual.
Ardo a chama que não queima.
Platónica, sem duvida algo mais.
A jornada vai em brasa.
E queima, a casa pouco certa, mas ainda acerta.
Na mente insana e desperta.
Quando, errada, será o teu dia?
Quando não sei.
Mas será e até lá…
Disparato em teu nome.
Mas não o pronuncio nem anuncio.
Evito a fortuna, sem risco nem prenúncio

sábado, 6 de março de 2010

Os dias que voam são os que na memória passam em câmara lenta.
Estes são os que valem a pena.
Toda a gente os quer.
Toda a gente os tenta.
As lutas para que todos os dias sejam assim.
Todas as lutas para que os dias sejam assim.
É viver a voar e a lutar para lembrar em câmara lenta.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Curandeiro do Tempo

Tac tac, tac tac.
O ponteiro implacável segue incessante.
E corre com ritmos ilusórios.
Com dias que passam e são avante.
Tac tac, tac tac.
A mais precisa pontaria apontou certeira e foi lotaria.
Uma quase completa e repleta de brilho, volta.
Um horário fácil que voa no contraste do turno.
O tempo viajava a velocidade luz.
Era a medicina do saneamento espiritual.
Agiu curandeiro e limpou a alma da condenação.
O relógio dançava e o ponteiro orquestrava.
Rituais tribais emparelhados em pronuncias curativas.
Cachimbos mágicos, vudu e feitiçarias.
Revigoram a alma e devolvem poderes.
E o mago ergue uma pena de pavão.
Agita-a e liberta poeiras luminosas.
Tac tac, tac tac.
Invicto e convicto da iluminação.
Urge e voa sem sair do chão, a magia do pavão.
Tac tac, tac tac, o tempo do contra-ataque.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Na Sombra do Sol

Raios invadem-te o aposento a medo.
Enquanto a claridade me traz de volta.
As ásperas pinças erguem-se preguiçosas.
E com a calma de quem prevê.
Tocam na face e não reconhecem, não pertencem.
Nem a face, nem as pinças nem um único pensamento.
Ver o tímido acordar do Sol a raiar.
Gradualmente trespassar o teu isolamento.
Como um qualquer ser da noite, evito a luz.
Fujo, ainda não me quero queimar.
Mas queira ou não, nada pode ser feito.
É inevitável, jogas com as palavras.
O fatal é a derrota, desfeito.
Não fazes as regras e perdes, queimas-te.
Palavras, Chamas, Musas e Força.
O Sol assusta-se e retrai-se.
Desaparece novamente na dor dos teus olhos.
E o frio apodera-se do interior dos ossos.
Mas não tremo, vejo-me no reflexo de uma poça.
Não me conheço, nunca me vi, não sou eu.
Tenho o diabo no corpo e exorcizo-me.
Grito, escrevo e venço o demónio.
Mas a dor ainda dói, persiste em mim.
Esgotado e ainda a fugir da luz.
Só um canto do abrigo permanece na sombra.
A Alma Solitária germinou a esquizofrenia.
Fechou os olhos e sofreu por outro dia.
Na Sombra do Sol.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Louco do Cachimbo


Devaneava pelos labirintos fictícios que ecoavam na sua mente. Fumava o seu cachimbo e falava sozinho. Os pensamentos eram falados em voz alta e muitas vezes escritos. Procurou a personagem que não existia, tal como lhe tinham dito. Era muita exigência, estava demasiadamente idealizada para ser real. Fez das ilusões bengala, água do veneno e oxigénio do fumo do seu cachimbo. Fez tudo errado e o pior foi que acreditou que estava certo. Sozinho num deserto ele imaginava-se a escrever livros fantásticos e realmente seriam se fossem reais. Tinha um poder, diziam que era carisma, diziam que era a palavra, diziam que era sorte. Ninguém sabia o que era. Como todos, pensou ser especial, no seu mundo o mundo não era seu, mas girava em seu torno e ao seu ritmo. Pensou que o fosse mudar, pensou que o seu dom o levaria a algum lado. Pensou em excesso, mas muito resumidamente ele pensou errado. Acreditou ter nascido para liderar, mas era liderado pelo que pensava. Ele pensava que era o outro e que o outro seria ele. Enganou-se porque pensou em vez de viver. Decidiu viver sem pensar e não se preocupou em liderar, isolou-se e começou a escrever. Magia nas palavras, sonhou que tinha tido um sonho e que se tinha tornado num escritor exímio. Sonhou que tinha sido acordado pelo dom e sentiu-se abençoado. Perdeu-se nos labirintos fictícios por onde andou, sentou-se no chão e acendeu o cachimbo. Recitou divagações maravilhosas sem se dar conta de que continuava a dormir. Sonhou e acordou sentado no chão onde sonhou estar sentado. Quando finalmente acordou, entendeu que era tudo real e que tinha escrito tudo o que tinha sonhado. Então começou a escrever a pensar que estava a continuar e continuou a acreditar nas bengalas ilusórias, a beber o veneno que achava ser agua e a respirar o fumo do seu cachimbo. Inacreditavelmente, não morreu, escreveu e escreveu e escreveu e escreveu e escreveu vezes sem conta sem pensar e viveu a mesma vida que eu.

Dias Longos

Disse que surpreendeu e era orgulho.
Eu disse-lhe que, pelo que já tinha dito,
Não me surpreendia e para ela também não deveria.
Seria apenas, um orgulho que nunca é isso apenas.
Reforçou e afirmou que eram só dezoito Primaveras.
Não é Idade, é Integridade.
Dezoito Primaveras com alguns Invernos de Dias Longos.
Talvez uns quase infinitos e nessas eternidades, cresces.
Sofres, amas, vives e aprendes mais.
Porque são dias com mais horas, mais minutos e mais tudo.
Dias que parecem vidas, ao lado de vidas que nem dias são.
Continuamos então, in média rés e a empresa discute a máfia.
E as coisas que a sociedade faz rodarem em nossa volta.
Uma parte diz a outra o que lhe parte quando nota.
A outra avisa que não note, que se envolva e toque,
Apenas no que deve notar, envolver e tocar.
O interior da linha que separa.
Enquanto a conversa caminha e não para,
Passa pela surpresa e orgulho da empresa.
Toca no sobreviver dos dias que se esticam.
Toca por dentro, no centro da toca e do sentir.
Fala na dignidade e maturidade ao passar pelos dias.
Falamos do orgulho que tens e da surpresa que sentias.
Não é a idade, é o evoluir que define o equador entre nós e o mundo.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Poema

Um poema pode ser uma história de amor.
Pode ser um momento, descrito eternamente.
É uma alegria, um desejo ou um receio.
É imaginação, é exibição.
É detalhe e brilho.
Pode ser simplicidade sem luz.
O poema é o que calhar.
Se o espírito sobe, pode voar.
Se desce, talvez não saiba aterrar.
É fome e exagero.
É satisfação e desespero.
Um poema, pode ser raiva e amor.
Pode ser frio ou calor.
E existem de todos estes tipos.
E de muitos mais, ainda nunca escritos.
E apesar de um poema poder ser tudo sem ser nada.
O melhor poema é aquele que apenas é.
Sem metáforas nem outras jóias.
O meu preferido é simplesmente um poema.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Chama

Escalda a mente e o corpo, até que os devore.
Faz bem sentir e querer não apagar.
Alimentar a Chama e não lhe permitir dormir.
Para continuar tornear-se num colorido de calor.
Ela dança incandescente, apazigua e hipnotiza.
A magia da Chama, domina a consciência.
E Ela consome o tronco ate ser cinza.
Arde o seu feitiço em quentes bailados de magnificência.
E mais lenha tenha, mais inflama a chama e carboniza.
Terá ardor e fascínio mágico necessariamente.
A perpetuar a queima do pequeno cubo de madeira.
E que qualquer maneira, a consumir o oxigénio da mente.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cavalgar

Cavalguei noites a fio em busca de uma recompensa, quando na verdade era recompensado sempre que montava as letras e batia nas teclas de forma selvagem.
Esse era o prémio que procurei e recebi vezes sem conta, sem dar conta.
Fui premiado por um ser superior, que me deu o gosto por isto.
Isto, que é apenas isto, para quem não vê mais que isso.
Isto, que para mim, é o mais pesado troféu que levanto sempre que rodo pela palavra e sempre que por ela me deixo rodar. É a indiferença com que escrevo, o amor com que olho, ou outro sentimento qualquer num outro gesto qualquer, que acaba por ser posto neste formato de medalhão, que vou acumulando em mim. É poder ganhar com as derrotas e fazer das amarguras sabores melhores. Como se fosse o cavaleiro da escrita, escrevia, escrevo e vou continuar a escrever, apesar de não ser o nobre poeta e de ser apenas o do titulo maldito. Sorrio com o que por mim é escrito.

Shaman

Fiz um acordo no passado.
Com um Ícone do Abuso, um amigo.
Era o Rei Lagarto!
Vendi a minha alma e agora mendigo.
Por algo que alivie o vazio.
Ou algo que me alicie e tire o frio.
Do gelo, que carrego no peito.
Da pedra, que bate sem derreter.
O Shaman falou comigo.
E de Mago para Mago.
Enquanto me gritava.
A tua maldição é escrever!
É dizer e fazer!
Tal como ele missionava.
Impressionar uma geração.
E flutuar no infinito.
Escrito no tempo.
Pela tua louca vida e seu drama.
E pela trama, que te consome sem gelo.
O frio que tens no peito é o calor do copo cheio.
Muitas coisas me disse, numa conversa inexistente.
Em que eu lutei persistente e bravamente com o liquido.
Que acabou por me derrotar, tal como eu queria.
E Agora que me recordei do pacto.
Fluo desbloqueado entre Brisas, intacto.
E contigo ao lado.
Sem que domines o tema.
Aprende a gostar da tua maldição.
É o lema e não há nada que tema.
Não receio ser maldito, porque o sou!
Anseio o caminho, porque sei para onde vou!
Só não vejo o fim, essa é a minha surpresa.
Livre no final, vou viver de alma presa, até que chegue.
Vendida, como se algum dia me tivesse pertencido.
Combinei com o falecido.
Um pacto, uma maldição e um desejo parecido.
Ficar depois de ir, para sempre no tempo, sem nunca ser esquecido.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Treta

É a coerência com que articulas o palavreado.
A técnica com que deslizas pelo argumento.
A contornar as chaves e a fluir sempre enquadrado.
Em domínio do tema, conduzi-lo na direcção.
Que te seja mais útil no ordenamento.
Da treta e toda a sua construção.
É fazer a melódica lábia.
Soar como um canto.
Introduzir e Desenvolver de forma sábia.
E concluir com aplausos inflamados.
É um encanto, para a plateia rendida.
É apenas um estilo de vida.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Imagine now to truly remember in the future

One day you will look back and remember only in your imagination.
To wish being able to do more than just that.
Until that day comes you will be happy the way you think you are now.
Then you will realise how happy you could have been.
And how you could truly remember in stead imagine.
Imagine now to be able to remember in the future how happy you truly were...

Fotografia do Autor

Apresentou uma nova postura,
De chapéu castanho aos quadrados.
Era o Príncipe da loucura,
De barba e bigodes destacados.
Espírito da eterna aventura,
De camisa e botões arrancados.
Louco desprovido de cura,
De calças gastas e sapatos semi-rasgados.
Sou ainda tudo isso, continuo o mesmo Displicente.
Sou o Salvador Insubmisso, sou o Autor Demente.

Salvador e o Corsário Vagabundo

Divagas ao longo de um tempo,
A procurar um momento,
Que se prolongue no mesmo.
Das mil e uma voltas ao relógio,
Sem encontrar o que se prolonga.
O caminho sem fado, é passeio no Oceano Deserto.
Deserto de Tudo, Deserto com Nada.
No vazio de uma viagem longa.
Sem Rota, vagueias pela prisão de teias.
Enleado no enredo, em que balanceias.
És o Vagabundo, que Divagou e ainda tentou,
Algo simplesmente impossível.
Tentaste e fracassaste de forma circular.
Ficaste-te pelo tentar.
Semeaste Ventos e foste colhido pela Tempestade,
Que tornou o que Salva, no que Deriva.
Foi a Brisa e nem deu chance.
Sem remo nem vela, estás em alto mar.
Mas vês terra de relance.
Vagueias sem bússola, para Divagar sem Norte.
Só confiante na sorte.
És o resultado da dança das ondas.
És Náufrago, és o Pirata Vagabundo.
O Corsário do Barco afundado,
Na ilha do fim do mundo.
Eu… Sou o Salvador e divago Bloqueado.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Fugas de Informação

Afirmações a terceiros.
E fugas de informação.
Coisas ditas sem rodeios.
Evasão fruto de distracção.
Não é mentira, o tema de liberdade.
Tal como a vontade de negociação.
E construção de verdadeira afinidade.
Foi dito sem querer, mas não deixa de ser verdade.
Do terceiro á segunda, aquela informação.
Voou e causou reacção.
Que aparentemente, pareceu positiva.
E até tinha, uma nota informativa.
Seria só depois da ida e da volta.
O tomar de uma iniciativa.
Que não foi tomada e caiu em esquecimento.
Podia ter sido longo e bonito, mas foi um momento.
Dos que ficaram por repetir.
Gostava de afirmar novamente.
Para tentar, fazer reagir.
E com sorte, ter mais um instante.
Para arriscar num a dois.
Poderia ser que desta vez.
A boa nova, não ficasse para depois.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Esquizofrenia e Paranóia

Conscientemente, multiplico-me e converso.
Livre de sentido, falo com o Pavão.
Este quer que pergunte ao Pirata, que não acredita.
E traz o Mágico para o diálogo.
Uma discussão de loucos, cada vez mais loucos.
Todos nós argumentamos, todos envenenamos.
Uns aos outros, a mim.
No fim, as conclusões são óbvias.
Já sei quem é o meu pior inimigo, somos nós.
Sim, já sabíamos, nós somos os teus arqui-inimigos.
Mas ainda não fazemos ideia de quem são.
Por oposição, os teus amigos.
E então, entre tantos loucos e velhas certezas.
Certas perguntas continuam presas.
Onde confiar e desabafar sem ciladas?
Importante questão sem resposta.
Apenas paranóias divagadas.
Sei que não devo confiar em mim.
Mas não sei em quem o faça.
Assim, só nos resta acreditar em mim.
E não cair em desgraça.

Reflexos Projectados

Nunca sentiste, o que desejei que sentisses.
Sempre vi, o que queria avistar.
Nunca vi, o que deveria mirar.
Reflexos do que queria, foi tudo o que via.
Sempre que olhava, sem ver.
Projectava nos espelhos, os anseios.
E tudo o que presunçosamente vi.
Foi o que inocentemente pareci.
O calor que me aquecia.
Era outra realidade.
No reflexo de simetrias geladas.
Todas as presunções eram miragens.
Descuidadamente projectadas.
Por cima das autênticas imagens.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Gotas

Por entre as gotas desta chuva.
Vou dançando, no tal terraço.
Vou, rodo e valso, sem passo em falso.
Tento não complicar e vou dançando.
Isto tudo, claro, vagabundeando.
Nas palavras malditas.
Nestas danças escritas.
Só para criar novamente, na alta plataforma.
Onde criar é a única norma.
Já não avisto as estrelas, desde a última subida.
Hoje o tempo não convida a subir.
Mas faço como até agora na vida.
Nunca precisei de convite para surgir.
Escrituro para o futuro, as letras de mais uma ida.
E retorno, ao sítio onde normalmente contorno.
Expectante e ansioso, com o que de novo, irá subir.

Motivação

Acordar com vontade de não dormir.
Lutar todos dias por querer ganhar.
Todos os dias, cair e levantar sem desistir.
Se for preciso, claro.
Nos dias melhores, colher os frutos da vontade.
Saber que a perseverança resulta na realidade.
É usar o querer para conseguir.
É nem sempre conseguir mas continuar a querer.
Até conseguir, o alcance da vontade de ferro.
Lutar para que a motivação não acabe.
E quando acabar uma luta.
Manter a chama acesa e não sair do jogo.
Ir de novo para a guerra, para degustar as vitórias.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Escrever

Quando a inspiração está por cima, ninguém diz nada.
Quando ela está por baixo, ninguém diz nada.
Por regra, nunca ninguém diz nada.
Eu, limito-me a escrever o que ninguém diz.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Areosa

Sitio daquele céu cinzento.
Tecto, do melhor momento.
Lugar de paródia, lugar de labor.
A referência da casa e um clã.
E testemunha de debates com calor.
De uma família de sangues cruzados.
Irmãos e irmãs do gene internacional.
O Clube dos Insurgentes Semeados.
Lar da heterogénea linhagem real.
Areosa, santuário do Saudável e do Feliz.
Território do Nobre e do Paciente.
Da Suposta, da Estrangeira e da Beijoqueira.
Arredor do conhecimento e iluminismo.
Dona da casa internacional.
É a área da geração de seu baptismo.
E lembranças do móvel majestoso.
Poderoso sitio de socialização excepcional.
Areosa da memória, para a história.
E nostalgia do seu Alentejano
Que visita o tempo, para perdurar mais um ano.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O Vice-Versa sem Conversa

Inspirado pelos momentos.
E por vezes monumentos.
O meu trabalho reflecte isso.
Em todas as divagações e pensamentos.
E são, por isso.
Anotados de forma desusada.
Tudo o que faço, tem o que me leva a fazer.
Se estou sem anotar nada.
É porque nada me leva a escrever.
Por regra, transporto o interior para fora.
E vice-versa, depende da hora.
Agora e sem palha para muita conversa.
Salvo-me e vou-me embora.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Apresentações

Preparo a entrada e ajeito o pé direito.
De degrau em degrau, vou escalando.
No topo das estrelas atesto o peito.
Com o ar da elevação pura.
E perante os astros desta constelação.
Congratulo-nos da nossa loucura.
Sorrio e perspectivo boas fortunas.
Apresento-me ás criadoras em tom de tributo.
Sou O que Divaga, perante esta miragem vaga.
Bem do alto, no topo das criações.
Quebro o gelo nas apresentações.
Passo dado e de entrada feita.
Sento-me com o trio e assisto o céu.
Atentamente, vou viajando parado e levanto o véu.
Subi e entrei, viajei e sorri com o que vi.
Com o peito cheio do ar limpo, no terraço das visões.
Desço ao meu retiro das Divagações.
E em breve voltarei ao Sitio das Criações.
Até que isso aconteça e antes que desapareça, saúdo as três.
Adeus, um beijo e até a próxima vez.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ligação

É sem ela, que o relógio conta.
Dá voltas seguidas e continua inexistente.
Em círculos, ele segue e aponta.
O passar do inevitável e sem a gente.
Contactar, nem sempre foi constante.
Mas o querer tem sido.
E por entre apontamentos, O Caminhante.
Circulava sem relógio e distraído.
Em direcção á captura.
O Sentimento afinal era armadilha.
Para o contacto, que se esfumaçava.
Conexões astutas, eram aventura.
A ligação foi feita com mascarilha.
E escondia a face, a quem divagava.
Eram páginas diferentes.
Mas no fundo, nem no mesmo livro estava.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Fasquias

Presunções esguias.
E níveis pretendidos.
E outras coisas exigidas.
Por todos os vencidos.
Nas vertiginosas descidas.
Eles caem sem luta.
Sem briga descendem nas quedas.
É o destino dos expectantes.
Que ambicionaram, mas não agiram antes.
E agora sem o Relógio.
Estão contra o inevitável.
Perderam o acesso ao pódio.
E a fasquia está instável.
Círculos e voltas comprometedoras.
Maratonas feitas pelos ansiados.
Que não chegam e são sempre Sebastianizados.
Como o Dom do nevoeiro.
Que não cumpre expectativas.
Para se esfumar em primeiro.
E perder nas longas e nocivas.
Da boémia e da demência.
Para achar a sobriedade num acto de paciência.
Tudo isto pelo esperado.
Nada disso do exigido.
Poetizações do Louco, o Salvador, o Perdido.

Degrau Frio

Está frio para descer as escadas.
Afirmação espetada como espadas.
Nas costas de quem supostamente gostas.
Um surrealismo escrito.
E por vezes desenhado.
Por alguém que se musa no errado.
E acredito, na fé dos instintos.
Na crença dos extintos.
Mas faço-o sem ingenuidade.
Faço-o apenas pela veracidade.
De quem age no equivoco.
Em sentido incriminatório.
A escadaria gelou.
E agora o sentido é obrigatório.
Ficou tudo mudo, como era esperado.
A passagem foi feita.
Pelo que divagava, e mesmo ao lado.
Como se fosse tangente.
Raspa e faz razia na gente.
Afectada pelo pouco calor.
De quem queria algum.
Não todo, mas com fervor.
Incompreensível nos gestos e tudo mais.
O Pavão retira-se e recolhe-se entre os tais.
Que diziam e opinavam.
Que argumentavam e se opunham.
Feito o julgo, relanço Tempo.
Aos Cruzamentos do Sarilho.
Divago aleatoriamente, mas não saio do meu trilho.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sabichão

É o que Controla o saber absoluto.
Reina a sabedoria e é Astuto.
No seu pensamento o Sábio desconhece o luto.
Nunca, em caso algum é Irónico.
Não troça, nem usa aptidão retórica.
Conhecedor já sabe o saber.
Ou então não, e agora é a valer.
O Sabichão é outro nome do Presunção.
Não controla, de todo a ciência.
Sem paciência, é Bobo e invariavelmente, Asnático.
Consegue sê-lo sem dificuldade, apenas em automático.
E sempre que lhe for possível, Satiriza.
E desliza entre gracejos, impuro.
Brinca, como um Palavroso.
O Sabichão, não passa de um Burro.
Que pensa que sabe, mas é apenas Vaidoso.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Wanted

The man who felt wanted, but just not that wanted has he wanted to be wanted.

Ver Antes

É ter a Visão primeiro que o mundo.
É também, a antecipação do bater no fundo.
Ver um Futuro sem o mesmo.
E precisão relativa.
Olhar á frente.
E contemplar a perspectiva.
Guardar essa imagem.
Confiar que o tempo lá chegue.
E que transforme a mensagem.
Depois comparar e rever o rigor.
Da relativa visão.
Com ou sem dor.
O Certo e o Errado da graduação.
A vista mostra-se com cores.
Bem colorida e nítida.
É isso antecipar de forma explícita.
Aquilo que o tempo anseia por te reservar.
Aquilo que tu vês em forma ilícita.
Mas recusas aceitar.
Vês certo, mas acreditas errado.
Um vicio de fé, de quem se acha Iluminado.
Crer e ver com tempo para a antecipação.
Ver á frente e desperdiçar tempo na Divagação.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sinais de Fumo

Acendo a Tocha e faz-se luz na gruta.
Uma espécie de Alegoria.
Numa forma de conhecimento bruta.
Por entre o fumo e as suas sombras.
E todas as viagens á luz da Alma.
Em que todos os raios de luz ensinam.
E o fumo escrito nela, enquanto se torneia.
E dança perfeito perante um juiz crítico.
Sinaliza a iluminação do espírito.
Que cega momentaneamente, para ver.
Dono das soluções interpreta o fumo.
Aceso pela sabedoria.
Até já domina a sinalética.
Limpo de sombras, vaporiza o saber.
Divaga, de forma frenética.
Como se de sempre o soubesse ou fizesse.
O Génio sinaliza sempre que lhe apetece.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Rota de Seda

O Dedo vai pelo Caminho de Seda.
Desce o Deserto suavemente e aproxima-se.
De mais uma curva e das mil que se lhe seguem.
De todas as serpenteadas sem fim.
Ziguezagueada, a Rota Muçulmana prolonga-se.
E enquanto o Áspero corre a sua Rota.
O quente que se sente na viagem.
É invadido por brisas húmidas.
Que refrescam o Sopro
E Anunciam os locais dos tais e ansiados.
Oásis guardados no recolher das dobras.
Que refrescam o Áspero no seu repouso.
E encorajam o regressar ao Caminho.
Pelas contra-curvas de Dunas Finas.
E de cor caramelo claro.
Da sua Rota do Oriente.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Bloqueio

Bloqueio de Génio Saturado e sem prémio.
E ser premiado seria como desbloquear.
Prémios bloqueados em planos cegos.
E pensamentos de génio vendados.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Alto das Luzes

Sento-me no Alto ao Vento.
E observo o Mar de Pirilampos.
Bem por cima das Luzes.
Avisto os Brilhos que Luzem no Tempo.
Do cimo daquela Nocturna Referência.
Assisto, do escuro e elevado ponto.
Á Dança de Luzes, do sitio em que me encontro.
Na maior parte das vezes perdido.
A Muralha do Templo e do Teatro.
Do Pavão, auto-intitulado Prodígio e Salvação.
O Alto Sitio situado na primeira fila do Palco.
É onde se assiste á peça dos pirilampos.
Imóveis em volta do Templo.
É do Topo das Luzes e sem iluminação.
Que me levanto e aplaudo.
A Magnifica Representação.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Musa Tatuada

É Arte no seu Esplendor.
É forma Feminina.
É o Ser da Força e Poder que me domina.
É tela magistral, com cores e furos.
A peça em si peca em mim.
E faz-se Musa neste Desenho.
Os doces desenhados nas suas curvas.
São a perdição da minha gula e meu empenho.
É fenómeno de um expoente máximo.
Raridade colorida de enfeites desenhados.
Invulgar jogo de linhas e cores.
Com segredos perfurados.
Nas curvas feitas pelos mestres do oficio.
Contemplar prende os olhos e dá vício.
Tintas, Riscos, Argolas e Correntes!
Combinação incomum, mas coerente.
Quem vê como eu.
Ao ver pelos meus olhos…
É impossível ser Ateu.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Indisponível

Entre sonos e viagens.
Conversas e mensagens.
A ideia está errada e tudo são miragens.
Sem acreditar, indisponibilizo-me.
E auto-inspiro a minha cabeça.
Enquanto expiro no prazo.
As miragens fazem parte do sono.
Adormecido em meio, pela metade acordado.
É como estou, sonho e não sou incomodado.
E por muito que tentem, passa-me ao lado.
As desistências de quem insistiu.
Tentou, não estava a espera, mas viu.
Não me interrompam o discurso.
Calem e escutem, o silêncio do Indisponível.
Podem ser Tempestades, eu estou no Bom Tempo.
Façam Tudo, ninguém me corta o momento.
Sou Muso das minhas ideias no seu início.
E com seguimento também sou no meio e no fim.
Muso em mim.
De regresso ao sono, retiro-me em sonhos.
Nem nas fantasias eu deixo de me escrever.
E faço-o de olhos fechados.
Passo pelos caminhos indisponíveis.
Divago missões impossíveis.
Divago de forma acessível.
Para quem sabe o código incompreensível.
É fácil para mim, o indisponível é simplesmente impossível.

Em Vão

Divago sobre o que escrever.
Dou voltas na ideia sem saber.
Apenas com vontade.
Simplesmente ela.
E só com ela, tento.
E a verdade…
É que hoje é em vão.
O esforço de me Salvar.
Mas mesmo em vão, vou tentar.
Contornar o facto.
De hoje não ter tacto.
Nem nas teclas nem nas palavras.
Como um bloqueio.
Apenas como, não sendo.
Não anseio.
Não receio.
Nem faço disto recreio.
As Palavras são tantas, que estou cheio.
Por isso, hei-de voltar.
E se tiver sorte.
Em grande estilo e a Divagar.
Se perder o norte.
Faço-o com a mesma vontade.
Porque até em vão, nasci para Divagar.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Entre Silêncios e Distúrbios

Quase extintas, as quase nenhumas Palavras.
Em Silêncio, comigo e com o que quero que sintas.
Não reporto a ninguém.
Os meus Distúrbios e Insanidades.
Com os lábios costurados.
Os sons são murmúrios.
E Entro no Espaço, Calado.
Com Tempo para uma Repetição Mental.
A Festa é aqui dentro.
A Selecção é tanta, que Só Eu Entro.
Sozinho na festa…
Multiplico-me em génios segmentados.
Divido-me, em criações reais e personagens inventados.
A festa já esta cheia de mim.
E eu! Também estou cheio dela.
Mas continua tudo em silêncio.
Todo disturbado…Eu continuo aqui.
Pareço surdo num mundo calado.
Enquanto sem sons, tenho tudo bem sonorizado.
Há com som e barulho, uma noção de surdez.
Renego as Novas e Velhas Palavras.
Deixo-me ficar por aqui.
Até que fique de vez.
Entre os meus Silêncios e os meus Distúrbios.
Faço uma festa de insanidade.
Onde ficou tudo por dizer.
E onde nada foi ouvido.
Até os pensamentos ecoam e Divagam, sem ruído.